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A descoberta (parte 2)

  • 9 de mar. de 2017
  • 4 min de leitura

Olá chuchus, como é que cês tão? Espero que bem. Hoje eu vou falar sobre "COMO ME SENTI QUANDO SOUBE QUE TINHA CÂNCER", sim esse deveria ser o título do post, mas falei no outro que seria continuação e aqui estamos.

Pois bem, foi uma fase muito complicada da minha vida porque eu já estava passando por outros problemas, tinha acabado de terminar um namoro, descobri que minha tia também estava com um tumor, minha melhor amiga iria passar por uma cirurgia, tive que trancar me faculdade, entre outras coisas e, tudo aquilo acumulou, foi como se tudo de ruim resolvesse acontecer ao mesmo tempo e eu, é claro, como todo e qualquer ser humano normal, senti muito o peso de todas aquelas coisas juntas. O câncer em si já é uma coisa muito pesada. Imagine você, reles mortal, descobrir em um dia qualquer que tem câncer, como se sentiria? Pois a única coisa que eu sabia no momento era que eu não iria morrer, não me pergunte porque eu só sabia.

Têm duas coisas que as pessoas fazem quando me conhecem, que me deixam com uma cara meio de "WTF???". Uma parte pequena, minoria, me pergunta se eu raspei o cabelo e eu olho pra pessoa com a maior indignação do mundo, porque assim só pra saber mesmo, nada de mais não, mas POR QUE EU USARIA LENÇO SE EU TIVESSE RASPADO A CABEÇA POR LIVRE E ESPONTÂNEA VONTADE CRIATURA? Mas eu só respondo que não mesmo, porque sou mocinha educada. E a maioria me olha com pena e eu sorrio pra elas porque elas não sabem o que estão fazendo. Eu não sei quantas pessoas vou alcançar com esse post, mas só por esse momento, gostaria que fossem muitas pra poder dizer que vocês não precisam ter pena de nós que lutamos contra o câncer. Na verdade, não tenham pena de ninguém que esteja doente e lutando pela cura. Um olhar de pena é a pior ofensa que nós podemos receber e eu não falo só por mim, porque sei quantas pessoas odeiam isso no mundo inteiro, mas ainda assim, esse erro é cometido várias e várias vezes. Então, por favor, parem. Se vocês conhecem alguém que está doente, mas está lutando pela vida (alguns em camas de hospitais, outros em casa), deem o seu apoio, seu incentivo, sua admiração, não a pena, faz com que não pareçamos capazes de nos curar e quase sempre nos desanima (RECADINHO DO BEM AÍ PIPOU).

Como já disse, eu nunca pensei que fosse morrer, felizmente. Até porque minhas chances de cura eram muito boas. Mas uma coisa que me fez ficar muito deprimida e tenho quase certeza que é o caso de quase todas as mulheres que tem que passar pela quimioterapia, foi a queda radical do cabelo. (Pra quem nunca me viu com cabelo e quiser ver é só entrar no meu facebook ou instagram que tá do ladinho direito aí e dar uma olhadinha ~êêêê~). Eu era uma pessoa muito, muito, muito apegada no meu cabelo, acho que era a coisa que eu mais amava em mim e quando ele caiu foi um processo lento e doloroso porque eu não queria raspar e ficava sofrendo vendo ele cair um pouco mais todos os dias, então eu senti mais a queda de cabelo do que a notícia do próprio câncer. Quando o meu cabelo caiu quase todo, isso demorou mais ou menos uns 15 dias após a primeira sessão de quimioterapia, ainda sobraram uns fios avulsos e eu juro que eu fiquei parecendo o Smigol do Senhor dos Anéis (QUEM RIR VAI PRO INFERNO), mas não queria raspar ainda assim porque achava que ia ficar horrível careca (como se eu estivesse muito bonita). Eu andava com touca num calor infernal e não queria mudar pro lenço de jeito nenhum porque tinha vergonha (sou muito resistente a mudanças), até que num belo dia meu namorado me convenceu que eu precisava parar de ter vergonha de tudo e que eu me sentiria mais segura se raspasse a cabeça e então eu raspei (e ele também, não no mesmo dia, mas essa já é outra história) e passei a usar lenços que são tão fresquinhos e hoje fazem parte da minha vida (uma pena não ter como colocar aqui o emoji do coração vermelho gigante e pulsante do whatsapp).

Após a aceitação da doença, que eu não disse, mas se deu ao fato de ter conhecido o Kenedy, que hoje é meu namorado e me ajudou muito em tudo (inclusive não deixou com que eu caisse em depressão): sendo meu amigo, me apoiando, elevando minha auto estima (isso é importantíssimo), me incentivando, eu aceitei a perda do cabelo também, foi mais trabalhoso e mais difícil pra mim, mas eu consegui e o resto eu tirei de letra. As quatro coisas mais difíceis foram a descoberta, a primeira quimio, a queda do cabelo e a cirurgia, o restante como ir a consultas toda semana e fazer exames todos os meses é mais fácil de lidar, só que mais cansativo também.

Primeiro eu desmoronei, precisei de alguém pra me levantar (que Deus me enviou e até hoje cuida de mim) e fiquei super triste, desmotivada e sem vontade de fazer as coisas, mas depois eu fui aceitando e entendendo que tudo na minha vida Deus encaminhou e que eu tinha duas escolhas: ou passava por isso triste, desistia da vida e me entregava pra doença ou eu superava, seguia minha vida normalmente (com restrições e melhor qualidade de vida possível) e feliz. E eu optei pela segunda opção e não me arrependo, levo uma vida normal dentro do possível, claro que com algumas limitações, mas super feliz e contente porque Junho tá quase aí e eu vou acabar o tratamento.

E é isso amores, espero que esse jeito de escrever seja melhor do que o outro do post anterior, mas é que no anterior eu tive que contar tudo, com detalhes e acabou ficando meio chato, mas pelo menos esclareci as duvidas.

Beijos no core e até mais!

 
 
 

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